Antiga Usina Cambahyba é ocupada pelo MST após Justiça determinar desapropriação no RJ


Foto: Pablo Vergara

Cerca de 300 famílias organizadas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam, na última quinta-feira (24), uma das fazendas que pertence ao Complexo de Fazendas Cambahyba, da antiga Usina Cambahyba, em Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro. A ação ocorreu após a justiça da 1ª Vara Federal de Campos decretar a desapropriação de três fazendas do local, Cambahyba, Flora e Saquarema, para fins da Reforma Agrária.


Batizado de Cícero Guedes em homenagem à liderança do MST assassinada em 2013, o acampamento foi construído com o apoio de diversas organizações, sindicatos, entidades de Direitos Humanos e religiosas, partidos políticos, movimentos estudantis e sociais do município de Campos dos Goytacazes e, ainda, de entidades nacionais.


"Ocupamos as terras da Cambahyba para exigir democracia, terra para produzir comida saudável para todas as trabalhadoras e trabalhadores pobres do campo e da cidade que vêm sofrendo as consequências da pandemia de Covid-19, negligenciada pelo governo", diz o MST em nota.


Segundo o movimento, há mais de 20 anos o MST tem encampado a luta pela desapropriação do Complexo Cambahyba em Campos (RJ), o qual, desde 1998, através de decreto presidencial, foi considerado improdutivo por não cumprir a sua função social.


Dentro do território se encontra a Usina Cambahyba, que produzia açúcar e se tornou notória pelo fato de que, durante o período da ditadura empresarial militar no Brasil (1964-1985), foi utilizada para incinerar os corpos de opositores assassinados pelo regime. As terras eram de propriedade do ex-vice-governador biônico do Rio de Janeiro, em 1968, Heli Ribeiro Gomes.


O MST afirma, ainda, que o Complexo é um latifúndio improdutivo, marcado pela exploração do trabalho, impactos ambientais e que acumula dívidas trabalhistas e previdenciárias milionárias com a União.


Fonte: ANDES-SN *Com informações do Brasil de Fato