Audiência pública debate situação das universidades estaduais cearenses


Audiência foi marcada pela ausência de representantes do governo do estado e das reitorias. Foto: Alece

Estudantes e docentes das três universidades estaduais - do Ceará (Uece), Regional do Cariri (Urca) e do Vale do Acaraú (UVA) - estiveram, nessa segunda-feira (27), na Assembleia Legislativa do Estado (Alece) para uma audiência pública, que discutiu a situação das três instituições. O encontro ficou marcado, entretanto, pela ausência de representantes do Executivo e da administração das instituições de ensino, em evidente desrespeito às comunidades acadêmicas, ao Parlamento e à população cearense.


Alguns parlamentares lamentaram a não participação de membros do governo estadual e dos reitores das três universidades, que são responsáveis pela formação de cerca de 75% das licenciadas e dos licenciados que atuam na educação básica cearense.


Durante as falas, foram reforçadas as demandas da categoria docente das IEES do estado por concursos públicos com dedicação exclusiva, progressão, melhoria nas condições de infraestrutura dos campi, além da destinação de mais recursos à assistência estudantil para transporte, bolsa permanência e alimentação.

A presidenta do ANDES-SN, Rivania Moura, enfatizou que “valorizar a educação pública não pode ser com discurso vazio. Tem que ser com recurso garantido, com investimento, concurso público, condições dignas de trabalho”.

Rivânia reforçou que a expansão das universidades sem concurso gera precarização do trabalho dos professores e cobrou que a governadora Izolda Cela receba os docentes para debater as demandas.


Segundo a representante da Seção Sindical do ANDES-SN na Uece (Sinduece SSind.), Virginia Viana, as professoras e os professores das universidades estaduais estão com os salários defasados em quase 33%. “As três universidades (estaduais) estão hoje com denúncias no Ministério Público do Ceará de que burlaram a lei. De 365 vagas no concurso público, nós só estamos, dentro da Uece, com cinco vagas para pessoas negras e com quatro vagas para pessoas com deficiência”, relatou.


Os problemas de infraestrutura foram relatados pelo representante da Seção Sindical do ANDES-SN na UVA (Sinduva SSind.) Murilo Sérgio Julião. Ele informou que o campus principal funciona em um terreno da diocese e que o estado paga R$ 992 mil de aluguel por ano. Os outros campi, conforme Murilo, estão em áreas que foram cedidas, e alguns desses locais necessitam de reforma.


A presidente da Seção Sindical do ANDES-SN na Urca (Sindurca SSind.), Maria de Fátima Morais, alertou sobre a falta de local apropriado para orientar os e as estudantes. Ela também criticou a precarização das condições de trabalho de docentes e o desrespeito à lei de cotas.


O presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UVA, Daniel Carneiro Mendes, destacou as condições dos prédios da universidade. Ele relatou que há problemas de infraestrutura no laboratório, pouca iluminação no campus, restaurante universitário fechado há cerca de quatro meses, residência universitária sem abrir seleção para receber estudantes, banheiros sem condições de uso. “Algumas pautas já foram apresentadas às autoridades, e não houve solução”, destacou.


Também estiveram presentes na audiência pública representantes do Movimento Negro Unificado e do Grupo de Valorização Negra do Cariri.


Fonte: ANDES-SN * Com informações da Sinduece SSind. e da Alece