Cozinha comunitária reaberta por movimentos sociais alimenta a população em Campina Grande


O Comitê sindical e popular contra a fome ocupou equipamento desativado pela Prefeitura desde 2013 e passou a oferecer refeições diárias para a população | FOTO: Divulgação

Um conjunto formado por forças políticas e sociais de Campina Grande fundou o Comitê Sindical e Popular Contra a Fome. Formada por ANDES-SN, ADUFCG, ADUEPB, SINTEFPB, SINTAB, SINTECT, CSP/CONLUTAS, MST, MAB, UNE, DCE/UFCG, Levante Popular da Juventude, Correnteza, CEBI, MLB, com o apoio dos mandatos dos vereadores Anderson Pila e Jô Oliveira, a frente ocupou e reabriu uma cozinha que, além de alimentar o povo, também gera renda para as famílias da área rural, uma vez que a produção de alimentos é originária da agricultura familiar em parceria com os movimentos do campo, assentamentos e comunidades quilombolas.


A ADUFCG e o ANDES-SN participam do Comitê através do trabalho de docentes de sua base e também com a manutenção financeira realizada pelo conjunto das entidades, na sua maior parte pelo Sindicato Nacional e suas seções sindicais, nos primeiros quatro meses de funcionamento. Também contribuem categorias como trabalhadores dos Correios e servidores municipais de Campina Grande e região. A maior parte dos alimentos foi comprada de assentamentos do MST, da agricultura familiar e de comunidades quilombolas, propiciando um alimento orgânico, saudável e nutritivo nas acepções mais amplas dos termos.


O Bairro do Jeremias, na região norte de Campina Grande, é formado por migrações de populações rurais e é um dos mais pobres da cidade. Segundo o censo do IBGE, em 2010, a população era formada por cerca de 10 mil moradores, a maioria mulheres (52%) e negros e negras (60,8%). As cerca de 200 famílias beneficiadas vivenciam o trabalho político do enfrentamento ao agronegócio, contrapondo o cuidado e a comida de verdade ao bordão marqueteiro “o agro é pop”, em um momento histórico em que a agropecuária acumula dividendos enquanto a nação volta a figurar no mapa da fome.


Mesmo com as forças da reação, em apoio ao Prefeito, tentando ativamente provocar desordens, a ocupação e a resistência, materializadas em um prato de comida, mostram qual é o lado que alimenta - literalmente - a verdadeira riqueza. Cozinhas comunitárias têm como potencial gerar um fato político mais grandioso do que a simples entrega de cestas básicas. Ao atuar como denúncia do abandono da população pela Prefeitura do município pelo fechamento da cozinha, enquanto insere a comunidade no fazer cotidiano da própria alimentação, representa uma importante forma de trabalho de base.


Fonte: ANDES-SN Com dados das matérias produzidas pela ADFCG e Esquerda Online