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Em manifestação, estudantes e docentes exigem a revogação do novo Ensino Médio


Estudantes, professoras e professores, e demais categorias ligadas ao setor da Educação realizaram o “Dia Nacional de Mobilização pela Revogação do Novo Ensino Médio". Mais de 50 cidades brasileiras organizaram atos pela revogação do Novo Ensino Médio (NEM), que tem sido alvo de críticas da comunidade escolar e acadêmica desde sua implantação em 2017.


A proposta inicial do governo era de flexibilizar o currículo e oferecer às e aos estudantes uma formação mais direcionada às suas áreas de interesse. No entanto, na prática, o que ocorreu foi uma falta de transparência em relação aos objetivos da reforma, um aligeiramento curricular, com disciplinas que podem ser cursadas a distância. O NEM foi aprovado sem um amplo debate público com a sociedade e, principalmente, sem ouvir estudantes, educadoras e educadores.


O protesto, convocado pelas entidades do movimento estudantil e sindical do setor da Educação, teve como intuito pressionar o governo federal a reverter os retrocessos impostos ao processo de ensino e aprendizagem de crianças e jovens brasileiras e brasileiros.


Em Brasília (DF), as e os manifestantes se reuniram no Museu da República, pela manhã, e seguiram em marcha para o Ministério da Educação (MEC). Entoando palavras de ordem como "Sou estudante, não abro mão, eu vou pra rua pedir revogação" e "Um, dois, três, quatro, cinco mil, revoga a reforma ou paramos o Brasil" estudantes deram o seu recado ao governo.


Segundo Beatriz Nobre, da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), o NEM não representa as e os estudantes do ensino médio. “É uma reforma antidemocrática, que não passou por nós estudantes, por professores e pela comunidade escolar no geral. Alertamos desde 2016 como esse ensino nos prejudicaria e hoje vemos os estragos que esse projeto está fazendo como, por exemplo, oferecendo matérias que não agregam na grade da matriz curricular do estudante como 'Brigadeiro caseiro', 'O que rola por aí'. Isso não ajuda o estudante a fazer a prova do Enem e cursar o Ensino Superior. É importante salientar que as escolas particulares continuam oferecendo a matriz curricular completa. O Enem já era um processo muito elitista antes dessa reforma, mas agora ampliou essa diferença porque os estudantes das escolas públicas não têm acesso a todas as matérias que caem no exame e nem das matérias que contribuem com o conhecimento para formar ele como cidadão. E é por isso que estamos nas ruas de todo o Brasil”, disse.


A marcha seguiu durante toda a Esplanada dos Ministérios com estudantes segurando cartazes "Enquanto houver educação haverá luta", "Novo Ensino Médio é retrocesso à educação", "NEM? Nem em sonho!" e chamando a atenção das e dos motoristas e pedestres que passavam.


Bruna Brelaz, da União Nacional dos Estudantes (UNE), também fez duras críticas ao NEM e ressaltou a importância do Ministério da Educação (MEC) incluir as e os estudantes nas decisões que impactam as suas vidas. "É exatamente o sonho de entrar no Ensino Superior que faz essa mobilização acontecer em todo o Brasil. Esse novo Ensino Médio não representa o futuro. Eles dizem que o novo Ensino Médio vai interligar com o século XXI, com as novas tecnologias e isso tudo é papo furado. Precisamos continuar nossas mobilizações para conseguir fazer com que o MEC entenda que não há possiblidade da não revogação”, afirmou. “Temos que garantir as novas discussões sobre o Ensino Médio que os estudantes querem, um ensino que não descarte os professores e não desestimule a nova geração a entrar no ensino superior”, completou.


Caio Sad, da Federação Nacional dos Estudantes em Ensino Técnico (Fenet), apontou que este é o momento de derrotar o NEM. “Esse governo que foi eleito por mais de 60 milhões de brasileiros e brasileiras, pela juventude que tirou mais de 2 milhões de títulos de eleitores para derrotar o Bolsonaro e o fascismo. Esse governo precisa ouvir a voz dessa juventude, dos profissionais da educação e revogar o novo Ensino Médio. É fundamental que essa mobilização continue para fazer com o que o ministro da Educação ouça a gente”, pontuou.


De acordo com Francieli Rebelatto, 2º secretária do ANDES-SN, a luta do Sindicato Nacional sempre foi por uma educação emancipadora e não por uma educação que atenda somente aos interesses do mercado e do Capital. “Hoje, vocês [estudantes] estão dando uma grande lição, porque a escola e o conhecimento se produzem também na unidade, na construção de lutas nas ruas com os trabalhadores e as trabalhadoras, com professores e professoras. As nossas conquistas e a nossa história de luta sempre dependeu de nós, de estarmos organizados nas ruas, nas lutas e em unidade. Precisamos reforçar que o governo precisa atender as nossas pautas e essa é uma delas. É urgente a revogação do novo Ensino Médio, também temos que reforçar a luta pela recomposição dos orçamentos na educação pública, porque bem sabemos das dificuldades que estamos tendo para conseguir manter as nossas instituições. Vamos adiante”, afirmou a diretora do ANDES-SN.

Também estiveram presentes no ato Mário Mariano Cardoso, 1º vice-presidente da Regional Leste do Sindicato Nacional, a presidenta da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (Adunb-Seção Sindical do ANDES-SN), docentes da base do ANDES-SN, além de representantes da Fasubra, Sinasefe e, ainda, coletivos e movimentos que representam as e os estudantes.


Governo Na última semana, o MEC abriu consulta pública para avaliação e reestruturação da política nacional do novo Ensino Médio. A portaria, publicada no dia 9 de março, deu o prazo de 90 dias para as manifestações, com possibilidade de prorrogação. A consulta será implementada por meio de audiências públicas, oficinas de trabalho, seminários e pesquisas nacionais com estudantes, professoras, professores, gestoras e gestores escolares sobre a experiência de implementação do novo Ensino Médio nos 26 estados e Distrito Federal.



Fonte: ANDES-SN

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