Garimpeiros e moradores de Antônio Pereira manifestam no centro de Ouro Preto

Garimpeiros de Antônio Pereira manifestam contra a interrupção das atividades após intervenções da Vale



Na última terça-feira (03), moradores e garimpeiros de Antônio Pereira, fizeram uma manifestação na Praça Tiradentes, em Ouro Preto, reivindicando ao poder público o apoio na inclusão dos trabalhadores no grupo de atingidos da Vale e no reconhecimento do garimpo como atividade cultural do distrito.


O protesto teve início nas proximidades da Rodoviária de Ouro Preto, por volta de 15h30 e seguiu para a Praça Tiradentes, em frente ao Museu da Inconfidência, onde também está o Acampamento Fora Saneouro.


Os manifestantes se levantam contra a mineradora Vale que, segundo os garimpeiros, está impedindo a atividade de garimpo artesanal no distrito. Alegam que a mineradora nunca dialogou com a comunidade e que a empresa, por alguns funcionários, denunciam a atividade para a Polícia Militar Ambiental que impede a extração e apreende as ferramentas de trabalho. Também reclamam dos problemas relacionados à poeira advinda do descomissionamento e descaracterização da Barragem de Doutor.


Eles também somaram forças aos militantes da Ocupação Fora Saneouro, na Praça Tiradentes. A ocupação está ocorrendo há mais de 10 dias e se põe contrária a privatização do serviço de água e esgoto na cidade.


À noite, eles participaram da Tribuna Livre da Câmara Municipal. O garimpeiro Wilson Nunes Antônio leu para os vereadores o requerimento que encaminharam ao Ministério Público solicitando apoio. Um trecho do requerimento diz: “Agora com o risco do rompimento da Barragem do Doutor, a atividade de extração manual do ouro está sendo proibida. A obra de descomissionamento está impactando diretamente os garimpeiros, em virtude da abertura da nova estrada da Vale que será utilizada para construção do vertedouro que vai transferir a água, que vai hoje direto da barragem para o Rio Água Suja, exatamente, para o local onde é exercida a prática artesanal do garimpo. Segundo informações da Vale, vai subir mais de 1m nas águas do rio”.


Também questionaram se após a obra, eles vão poder continuar com a atividade “[...] por falta de diálogo da Vale com a comunidade, solicitamos que sejam tomadas as providências necessárias para que os garimpeiros, trabalhadores e trabalhadoras atingidos [...] sejam incluídos no projeto social da Vale. Que passem a receber o auxílio emergencial durante a obra de descomissionamento, ou que se torne um benefício permanente, caso não seja possível que os atingidos continuem com a prática artesanal do garimpo em virtude da interferência da Vale nos rios”.


Em nota à imprensa, a Vale alegou que em razão da descaracterização da Barragem de Doutor e considerando os riscos relacionados, o acesso à Zona de Autossalvamento (ZAS) foi restrito até que o processo seja finalizado. A Vale disse também que concede auxílio mensal, a partir de decisão judicial em Ação Civil Pública, para as famílias evacuadas e pessoas que possuem terrenos na ZAS. “As famílias evacuadas estão, ainda, alocadas em moradias escolhidas por elas próprias, sendo concedida cesta básica, bem como custeio pela empresa das despesas de IPTU, água e luz e gás”.


A ADUFOP e o SINASEFE, por meio da FLAMa-MG, contribuíram com o transporte para deslocamentos dos manifestantes do distrito para a sede.


Com informações do SINASEFE IFMG e Jornal O Liberal.

Imagens: SINASEFE IFMG