Grupo de mães ocupa reitoria da Ufes pela inclusão de estudantes com deficiência


Foto: Coletivo Mãe Eficientes Somos Nós

O grupo Mãe Eficientes Somos Nós, que luta pelos direitos das pessoas com deficiência, ocupou o prédio da administração central da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) na manhã da última quinta-feira (22). A manifestação foi devido à dificuldade em matricular parte de estudantes com deficiência em disciplinas oferecidas na instituição de ensino.


Ainda pela manhã, Paulo Vargas e Roney Pignaton, reitor e vice-reitor da Ufes, receberam o grupo para escutar suas reivindicações. Em uma reunião com duração de cinco horas, a coordenadora do coletivo, Lucia Mara Martins, e demais participantes ressaltaram a necessidade da instituição em ampliar a inclusão de pessoas com deficiência na universidade e o fortalecer o Núcleo de Acessibilidade da Ufes (Naufes) e da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e Cidadania (Proaeci).


Lucia Martins relata que, com o Ensino Aprendizado Remoto Temporário Emergencial (Earte), as pessoas com deficiência têm tido dificuldade de fazer a matrícula, sendo que algumas até mesmo desistiram do curso. Essa situação, de acordo com a coordenadora, fere a Lei 13.146/15, que institui o Estatuto da Pessoa com Deficiência. Pela lei, a pessoa com deficiência tem direito a receber atendimento prioritário com as finalidades de proteção e socorro em quaisquer circunstâncias; atendimento em todas as instituições e serviços de atendimento ao público; disponibilização de recursos, tanto humanos quanto tecnológicos, que garantam atendimento em igualdade de condições com as demais pessoas; disponibilização de pontos de parada, estações e terminais acessíveis de transporte coletivo de passageiros e garantia de segurança no embarque e no desembarque; acesso a informações e disponibilização de recursos de comunicação acessíveis; entre outros.


A coordenadora do Mãe Eficientes Somos Nós contou a experiência negativa ao matricular o filho em duas disciplinas, esse semestre, e não conseguir. O mesmo ocorreu no semestre anterior. Para solucionar o problema da matrícula, Lucia entrou em contato com a universidade, mas não teve um retorno efetivo. O filho de Lucia, que cursa Ciências Sociais e é autista, havia pleiteado duas disciplinas. Após o episódio, Lucia gravou um vídeo e publicou nas redes sociais para denunciar o ocorrido. Com a repercussão, a coordenadora afirma que a universidade imediatamente efetivou a matrícula do estudante.


"Meu filho tem prioridade garantida pela Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. Ele não tem que esperar segunda, terceira etapa. Ele tem que ser aceito na primeira", disse.


Após ouvir os relatos, o reitor da Ufes destacou que as ações previstas no Plano de Acessibilidade estão sendo desenvolvidas e enfatizou que a acessibilidade é uma construção não apenas física ou material, mas também cultural e atitudinal, por isso é um projeto que precisa ser abraçado pelo conjunto da comunidade universitária. Ele afirmou ainda que a reitoria e as pró-reitorias têm se colocado sempre disponíveis para o diálogo.


Para o grupo Mãe Eficientes Somos Nós, a mobilização teve um grande êxito e, após o episódio, foi “construída uma nova história de inclusão para as pessoas com deficiência da universidade, desde as que ainda são crianças e que serão futuros estudantes, até os que já estão e os que vão entrar futuramente”, afirmou em suas redes sociais.


Fonte: ANDES-SN Com informações de Século Diário, Ufes e Mãe Eficientes Somos Nós