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Tarde de sábado foi marcada por debates sobre lutas populares, sindicalismo e mercado de trabalho

Osvaldo Coggiola, diretor do ANDES-SN, foi homenageado durante Seminário sobre Reorganização da Classe Trabalhadora


Os debates sobre as lutas populares, sindicalismo, mercado de trabalho, o perfil da classe trabalhadora e os novos desafios impostos complementaram a programação deste segundo dia do Seminário Nacional sobre Reorganização da Classe Trabalhadora do ANDES-SN. Com mais de 80 participantes, o evento acontece de sexta (16) a domingo (18), na Universidade Federal do Semiárido (Ufersa), em Mossoró (RN).


No período da tarde, os trabalhos foram retomados com o debate “Lutas populares, sindicalismo e mercado de trabalho”, com explanação dos docentes Danilo Enrico Martuscelli, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), e Marcos Tavares, 1º vice-presidente da Regional Nordeste 3 do ANDES-SN e da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb). Flavia Spinelli Braga, da diretoria da Associação de Docentes da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (Aduern SSind.), mediou o debate.

Ambos docentes abordaram a história recente da organização dos movimentos sociai, sindicais e populares, além das condições de trabalho e emprego e o impacto da precarização e informalidade na sindicalização de trabalhadores e trabalhadoras, que apresentou queda significativa nos últimos 10 anos, segundo dados do Pnad.


Danilo pontuou que "num período mais recente, o modelo capitalista passou a vestir-se com roupagem propriamente autoritária, principalmente depois de 2008". Para o docente da UFU, nesse período mais recente houve processos de resistência importantes, especialmente a partir de 2012, mas que não se traduziram em novas organizações de massa capazes de enfrentar o que estava por vir na agenda neoliberal de ataques.


Martuscelli reforçou a necessidade de unidade com demais movimentos dos setores populares e sindicais para uma reação em massa aos ataques à classe trabalhadora.


Marcos Tavares abordou o mercado de trabalho e os desafios para a classe trabalhadora. Segundo ele, as desigualdades das condições de trabalho e de jornada, às vezes são ainda mais expressivas do que as de salário, no entanto são pouco refletidas. O docente trouxe dados da sindicalização e destacou que, enquanto nos setores autônomos ou privado, o índice de filiados e filiadas a entidades sindicais é baixo, no setor público essa parcela é bem maior. “Talvez por isso que conseguimos fazer a resistência necessária para derrotar e derrubar algumas medidas de retirada de direito dos trabalhadores, como a PEC 32”, refletiu.


De acordo com Tavares, as contradições do capitalismo vão se acirrar cada vez mais e, é nesse momento, que se pode reunir forças para avançar na superação dessa sociedade de exploração. “Para a gente de fato avançar no fortalecimento e na reorganização das nossas lutas, na perspectiva de superação das relações do Capital, precisamos avançar no diálogo, na compreensão e na sensibilidade”, afirmou o diretor do ANDES-SN.


Assista ao debate


Perfil da classe trabalhadora O último debate do sábado teve como tema “O perfil da classe trabalhadora e os novos desafios”, com a participação de Ana Procópio, docente da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), e de Cacau Pereira, pesquisador do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps). A mesa foi coordenada por Lemuel Rodrigues, do Grupo de Trabalho de Formação de Política Sindical (GTPFS) da Associação de Docentes da Uern (Aduern SSind.).


Ana Procópio destacou a necessidade de olhar para a história do país e da construção de nossa sociedade e a nossa classe. “A gente pode dizer que a nossa classe trabalhadora brasileira se constitui das violências e resistências que perduraram desde o período escravagista no Brasil”, ressaltou.


A docente lembrou que é fundamental que os movimentos sindicais, e seus e suas dirigentes, percebam quem está faltando nos espaços e construam a intencionalidade de equidade, para além das cotas. “No âmbito da formação sindical, precisamos incorporar os conteúdos das trabalhadoras e trabalhadores negras e negros, de mulheres e homens trans”, disse, sugerindo a construção de perfis dos sindicalizados e das sindicalizadas.


A professora da Uerj lembrou ainda que o anticapitalista tem que ser antirracista ou não será. Por outro lado, o antirracismo tem que ser anticapitalista ou não será. É assim que vamos esvaziar a contradição entre raça e classe. “A luta contra o novo ensino médio é antirracista”, exemplificou.


Cacau Pereira acrescentou que é fundamental trazer para o centro da discussão setores que representam mais da metade da classe trabalhadora do país. “O debate da nossa classe é o debate das mulheres, das negras e negros, da população LGBT”, afirmou.


O pesquisador do Ibeps disse que é necessário fazer o balanço sobre como a onda de terceirizações, especialmente após reforma trabalhista, foi encarada pelas entidades sindicais. “Temos uma luta política a travar, que significa repensar os sindicatos. Estamos numa quadra histórica dramática”, refletiu.


Ele destacou ainda a importância das entidades sindicais ampliarem o debate sobre assédio moral e sexual e ampliarem a discussão sobre esses temas com as categorias, uma vez que essas violências no ambiente de trabalho estão adoecendo a classe trabalhadora.


Assista à íntegra do debate.


Homenagem Após o primeiro debate da tarde, as e os participantes foram à sede da Aduern SSind. para uma homenagem ao docente da Universidade de São Paulo (USP) e diretor do ANDES-SN, Osvaldo Coggiola. Além de uma exposição de fotos, que resgataram diferentes momentos da militância de Coggiola, também foram apresentados alguns dos 70 livros escritos pelo docente ao longo de sua carreira.


Emocionado com o reconhecimento, Coggiola contou sua trajetória de militância no movimento estudantil e operário na Argentina, o exílio e formação acadêmica na França e a construção de sua carreira e militância docente e a importância do Sindicato Nacional nesse processo.



“Eu agradeço ao ANDES-SN porque me fez brasileiro e me fez também trabalhador da classe brasileira. E essa condição eu vou levar para o resto da minha existência”, afirmou Coggiola durante a homenagem.


Fonte: ANDES-SN

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