ANDES-SN 45 anos: a histórica aliança entre docentes e estudantes em defesa da Educação Pública
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No calendário das lutas sociais do Brasil, o mês de agosto traz a celebração do Dia do e da Estudante, em 11 de agosto. Mais do que uma efeméride festiva, a data corresponde à criação dos primeiros cursos superiores do Brasil, ao aniversário da Organização Continental Latino-Americana e Caribenha dos Estudantes (OCLAE) e à fundação da União Nacional dos Estudantes (UNE). Por isso, no marco das comemorações dos 45 anos do ANDES-SN, a reportagem especial de agosto resgata a relação histórica entre o movimento estudantil e o movimento sindical docente.

De acordo com registros do ANDES-SN, essa trajetória mútua consolidou-se desde o período da ditadura empresarial-militar, quando as ações de oposição docente e estudantil começaram a se unificar para fazer frente ao autoritarismo e à violência governamental e ao esmagamento das liberdades constitucionais. A Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes) nasceu sob o peso do regime ditatorial. Conforme o Caderno 18 da entidade, já na histórica primeira greve nacional docente, em 1980, e nas mobilizações subsequentes de 1981, que levaram à fundação da Andes, o movimento estudantil esteve lado a lado do movimento docente, demonstrando que a luta por condições dignas de trabalho estava umbilicalmente ligada ao direito de acesso democrático ao ensino superior.
“Alguns dos representantes ou associados de Ads, que lá se encontravam para apresentar trabalhos científicos, traziam, na bagagem, o patrimônio político forjado nas lutas do movimento estudantil (ME), o qual, tradicionalmente, constitui a escola formadora e a origem de quadros dirigentes para as mais diversas atividades sociais. Esse era o nosso caso, Valmir Martins e eu, que participamos da reunião e nos propusemos a levar suas conclusões aos docentes da UFSC”, contou, no Caderno 18, Osvaldo de Oliveira Maciel, 1º presidente do ANDES-SN, sobre a primeira reunião que culminou na criação da entidade. A fala exemplifica a relevância que o movimento estudantil teve (e ainda tem), inclusive para a formação de quadros do movimento sindical docente.
Essa unidade tática consolidou-se nas ruas durante a campanha das Diretas Já, em 1984, quando as bandeiras estudantis e docentes se fundiram na exigência da redemocratização do país. Docentes e estudantes também atuaram em conjunto na construção das propostas educacionais para a Constituinte de 1988 e na elaboração das diretrizes para a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Da mesma forma, lutaram para exigir o impeachment do presidente Fernando Collor e o fim das políticas de desmonte do Estado, em 1992.
As mobilizações docentes, no auge do avanço neoliberal do governo Fernando Henrique Cardoso (FHC), também contaram com apoio do movimento estudantil. Da mesma forma, a unidade de ação entre professoras, professores e estudantes se fez presente durante os governos de conciliação de classe da esquerda, na luta por 10% do PIB para a Educação pública, contra a reforma do Ensino Médio (2016) e contra a reforma da Previdência (2017) e na defesa das instituições públicas de ensino e de sua autonomia durante o governo Bolsonaro.
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