Cinema, arte e formação política marcam a início da programação da Mostra Cinemas Entre Fronteiras
A ADUFOP, em parceria com o Observatório Latino-Americano de Cine entre Fronteiras da UNILA e o Coletivo Audiovisual da UFOP, deu início à programação da Mostra Cinemas Entre Fronteiras. As atividades promovem integração cultural, debates, lançamentos de filmes e formação político-sindical nas cidades de Ouro Preto, Mariana e também João Monlevade. A iniciativa articula o papel da arte, do audiovisual e da integração latino-americana com a luta sindical do movimento docente e de toda a classe trabalhadora.
No segundo dia de programação, na sede da ADUFOP, foi realizada a Roda de Conversa "Arte, cultura e luta sindical" com a presença das professoras Profa. Fran Rebelatto (UNILA) e da Profa. Letícia Carolina Nascimento (2ª vice-presidenta do ANDES-SN). Na abertura, a professora Kathiuça Bertollo (presidenta da ADUFOP) destacou ações da entidade realizadas ao longo de diferentes gestões e que integram arte, cultura e formação político-sindical, como as Quintas Culturais, as três Cartilhas de Indicações Culturais e as duas edições do Caderno de Textos ADUFOP, além da produção de dois documentários que resgatam a história da seção e enfatizam a arte como memória.

Entre as atividades político-culturais promovidas na sede do sindicato, Kathiuça lembrou a leitura dramática de um trecho da obra “A Mãe”, de Bertolt Brecht, realizada pelo grupo teatral MOTIM no Dia das e dos Professores em 2025. O grupo também apresentou o espetáculo “Nunca saio de junto de vocês quando me afasto”, inspirado na vida do militante ouropretano Hélcio Pereira Fortes, assassinado pela Ditadura Militar, e do militante José Francisco Neres, torturado pela ditadura. A peça integrou o Ciclo de Debates "A ditadura empresarial-militar e o necessário enfrentamento pela luta sindical docente", realizado em abril deste ano.

Durante a mesa, a professora Letícia Nascimento, atual coordenadora do Grupo de Trabalho de Comunicação e Arte (GTCA) do ANDES-SN, ressaltou a cultura como elemento fundamental para a formação política nas lutas do Sindicato Nacional. Também destacou a comunicação citando, em especial, o exemplo do vídeo disponível no canal do Youtube do ANDES-SN da participação de Fidel Castro no 38º Conad durante sua visita ao Brasil em 1999. Já a professora Fran Rebelatto exibiu seu curta-metragem Diário de uma professora em greve, construído a partir de fotos da greve docente de 2024. Também exemplificou como a SESUNILA (sua seção sindical) incorpora a arte latino-americana nos cartazes de divulgação de suas ações. Ambas trouxeram reflexões sobre como as manifestações artísticas se consolidam como ferramentas essenciais de resistência e organização da classe trabalhadora.

Ainda no mesmo dia, a abertura oficial da mostra ocorreu no Cine Teatro de Mariana. A mesa contou com intervenções da professora Kathiuça Bertollo, da professora Letícia Carolina Nascimento e do professor Adriano Medeiros da Rocha (DEJOR/UFOP). As falas destacaram a importância da ocupação dos espaços culturais para o fortalecimento da universidade pública e para as resistências coletivas tão urgentes no tempo presente.

Na sequência, às 19h30, a professora Fran Rebelatto ministrou a palestra "Os cinemas articulados entre fronteiras da América do Sul", seguida pelo lançamento do livro Entre fronteras y semillas latinoamericanas en el Cine y Audiovisual (Editora UNILA), organizado por Camila da Silva Marques, Fran Rebelatto e Kira Pereira. A obra celebra os dez anos do curso de Cinema e Audiovisual da UNILA, reunindo reflexões teóricas, históricas e estéticas desenvolvidas por docentes e egressos/as sobre a produção cinematográfica no continente.
Encerrando a noite, às 20h30, o público acompanhou a exibição e o debate do curta-metragem de ficção “La Yuyera”, dirigido por Maria Avalos. A obra acompanha a trajetória de Marta, uma jovem paraguaia que enfrenta o machismo no meio rural e resgata conhecimentos sobre plantas medicinais como forma de alívio e emancipação diante das opressões cotidianas.

A mostra utiliza o cinema como ponte para atravessar territórios, linguagens e identidades. A programação convida o público a refletir sobre as diferentes dimensões da América Latina através do audiovisual, reunindo obras do Brasil, Argentina, Paraguai e Cuba, além de pesquisadores da UFOP, UNILA, UFSB, UFMG e convidados/as. As atividades se estendem até o dia 26 de setembro.
Pela ADUFOP, a iniciativa integra as ações locais do Grupo de Trabalho de Comunicação e Artes, do Grupo de Trabalho de Política de Formação Sindical e do Grupo de Trabalho de Multicampia e Fronteira.



