Deputado bolsonarista protocola projeto que extingue a Uerj

Autor do projeto é o mesmo que invadiu a instituição e destruiu faixas em defesa da vida e pelo Fora Bolsonaro e Mourão



Um projeto de lei que pede a extinção da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) foi protocolado, na terça-feira (25), na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). O autor da proposta, o deputado estadual Anderson Moraes (PSL), propõe conceder direito para que os bens móveis e imóveis da Uerj e seus estudantes sejam remanejados para instituições privadas de ensino.


Na justificativa do projeto, o parlamentar compara o valor mensal de um estudante da Uerj com outras universidades, questiona os valores destinados ao hospital universitário e ao orçamento da universidade. Além disso, Moraes acusa a instituição de ser usada como “aparelhamento ideológico de viés socialista”.


Anderson Moraes é o mesmo que invadiu o campus Maracanã da Uerj, no dia 20 de maio, e destruiu faixas em defesa da vida e com críticas ao governo Bolsonaro. Na ocasião, Moraes também intimidou seguranças e agrediu verbalmente servidores, servidoras e estudantes. Ele também ficou conhecido, em julho do ano passado, por ter contas vinculadas ao seu gabinete removidas pelo Facebook por criar perfis falsos.


Para Rivânia Moura, presidenta do ANDES-SN, o projeto demonstra o desconhecimento sobre o que é produzido dentro de uma universidade pública, sua função social e a formação intelectual de seus discentes, bem como a importância da universidade pública no combate à Covid-19, com seus hospitais universitários, com os pontos de vacinação e produção científica.


“Reconhecemos que a Uerj é um grande patrimônio nacional e referência para as universidades, na produção do conhecimento e em Saúde. Esse é mais um ataque frontal a educação pública. Professores, professoras, estudantes, trabalhadores e trabalhadoras da educação e comunidade em geral precisamos, mais uma vez, de uma luta aguerrida para dizer que a Uerj fica. Dia 29 de maio teremos mobilização em todo o país pelo Fora Bolsonaro e seus aliados e dizer que as universidades públicas ficam”, disse.


Ataques às universidades Nos últimos anos, a Uerj e demais universidades estaduais públicas do Rio de Janeiro têm sofrido diversos ataques no seu orçamento, autonomia e gestão. O ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, que sofreu impeachment recentemente, atacou a autonomia das estaduais do Rio na escolha das e dos reitores, e censurou ao proibir que as universidades se relacionassem diretamente com a imprensa.


Deputados estaduais também tiveram atitudes semelhantes, em 2019, ao tentar criar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das universidades estaduais - com a justificativa de uma possível "má gestão" financeira das universidades - para perseguir e censurar, principalmente, a Uerj e atacar políticas de cotas.