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Docentes das estaduais da Bahia realizam vigĂ­lia e rompem silĂȘncio do governo sobre pauta de reivindicaçÔes

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Nessa quarta-feira (29), o movimento docente das quatro universidades estaduais da Bahia (Ueba) iniciou uma vigília de 24 horas em frente à Secretaria de Educação (SEC), no Centro Administrativo da Bahia (CAB). A mobilização, liderada pelo Fórum das ADs, teve como objetivo principal pressionar pela reabertura de diålogo com governo estadual e garantir o agendamento imediato de uma reunião para discutir as demandas da categoria.


Foto: Ascom Aduneb SSind.
Foto: Ascom Aduneb SSind.

O FĂłrum das ADs reĂșne representaçÔes das quatro seçÔes sindicais do ANDES-SN: Associação de Docentes da Universidade do Estado da Bahia (Aduneb SSind.), Associação de Docentes da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Adusb SSind.), Associação de Docentes da Universidade Estadual de Feira de Santana (Adufs BA SSind.) e Associação de Docentes da Universidade Estadual de Santa Cruz (Adusc SSind.).


A categoria enfrenta um cenĂĄrio de total paralisia no diĂĄlogo com o Poder Executivo. De acordo com o FĂłrum das ADs, o governo JerĂŽnimo Rodrigues (PT) mantĂ©m silĂȘncio de um ano nas tratativas com o movimento docente, tendo desativado a mesa de negociaçÔes de forma nĂŁo declarada desde julho de 2025. A pauta de reivindicaçÔes mais recente foi protocolada em dezembro de 2025, mas permanecia sem qualquer retorno oficial atĂ© a realização do protesto.


As demandas das e dos docentes estruturam-se em trĂȘs eixos fundamentais: direitos trabalhistas, autonomia universitĂĄria e financiamento. A categoria exige, por exemplo, o fim da retirada de direitos e o cumprimento de garantias como promoçÔes, progressĂ”es, mudanças de regime de trabalho, alĂ©m das licenças-prĂȘmio e sabĂĄticas. HĂĄ tambĂ©m denĂșncias sobre a falta de concessĂŁo de adicional de insalubridade para quem trabalha em condiçÔes de risco.


JĂĄ em relação Ă  autonomia universitĂĄria, o FĂłrum das ADs acusa o governo do estado de interferĂȘncia direta na gestĂŁo financeira, administrativa e acadĂȘmica das instituiçÔes, o que fere as constituiçÔes Federal e Estadual. AlĂ©m disso, o movimento tambĂ©m denuncia o subfinanciamento das universidades. Para 2025, o contingenciamento de recursos jĂĄ ultrapassa R$ 365 milhĂ”es, afetando diretamente as rubricas de custeio e investimento necessĂĄrias para a manutenção e expansĂŁo das atividades de ensino, pesquisa e extensĂŁo.


Antecedendo a vigília, docentes da Uneb, Uesb, Uefs e Uesc realizaram um protesto em frente à Secretaria de Educação, no início da tarde. No ato, foi servido um bolo que marcou um ano de omissão e descaso.


Segundo Iracema Lima, coordenadora do FĂłrum das ADs e presidenta da Adusb SSind., a vigĂ­lia foi composta por um grupo reduzido — por ela, as professoras Karina Sales (Aduneb SSind.) e Valdilene Gondim (Adufs SSind.) e pelo professor Arturo Samana (Adusc SSind.) — como estratĂ©gia para evitar confrontos policiais violentos, como os ocorridos em anos anteriores e manter o foco na exposição polĂ­tica do governo.


Durante a vigília, houve uma tentativa de intimidação por parte da SEC, que buscou instalar grades para isolar os manifestantes. Iracema contou que o grupo resistiu. “Dissemos que tudo bem, podiam colocar as grades, mas que faríamos vídeos na mesma hora denunciando a ação nas redes sociais. Diante disso, eles recuaram", disse.


Iracema informou que o movimento docente obteve um avanço concreto na manhã desta quinta-feira (30), quando o secretårio de Educação, Marcius Gomes, entrou em contato com as representaçÔes sindicais. De acordo com a coordenadora do Fórum das ADs, foi firmado o compromisso de uma agenda de reunião para a próxima segunda-feira (3), com o objetivo de discutir a pauta protocolada no ano passado.


Embora a vigĂ­lia tenha sido suspensa apĂłs esse compromisso, a presidenta da Adusb SSind. reforçou que o sentimento Ă© de vigilĂąncia constante. "NĂłs rompemos a boca do silĂȘncio do governo do estado da Bahia. Alertamos ao secretĂĄrio que estamos suspendendo, e nĂŁo encerrando a vigĂ­lia. Caso a agenda nĂŁo ocorra e nĂŁo se dialogue em torno da nossa pauta, voltaremos a mobilizar a categoria com muito mais força", afirmou Iracema Lima.


A docente concluiu ressaltando que, embora alguns pontos da pauta sejam complexos, hå itens sobre os quais é possível avançar imediatamente, se houver vontade política.


Fonte: ANDES-SN Com informaçÔes da Adusb SSind.

 
 
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