Nota da Diretoria da ADUFOP sobre racismo na UFOP - Caso de Blackface



No fim do mês de abril, na UFOP, ganhou repercussão um caso de Blackface/racismo em festa denominada “miss bixo” promovida pelo Centro Acadêmico da Escola de Minas. Nesta, estudantes de repúblicas federais e particulares se fantasiaram e difundiram o racismo por meio do blackface.


O racismo, que é estruturante da sociabilidade capitalista, está presente em nosso cotidiano e na Universidade também se manifesta. Este caso, não é um caso isolado ou não intencional. Suas raízes são seculares e estão nas senzalas, no tráfico e relação de compra e venda de seres humanos, marcas da escravização do povo negro no passado colonial, e que sob o capitalismo, apenas ganham novas roupagens e se perpetuam.


Ouro Preto é uma cidade negra! Predominantemente, a população é negra! No entanto,"às negras e aos negros são imputados a falta de moradia adequada e empregos precarizados. A cidade não é para a maioria da sua população! A violência e repressão policial, que neste chão tem, dentre tantas marcas sangrentas, o assassinato do jovem Igor Mendes, coloca este território no mapa do genocídio da juventude negra brasileira. Isso também é válido para Mariana, cidade que tem como marca a forte repressão policial à juventude negra e periférica quando esta se faz presente no centro e praças da cidade, cenário fortemente dedicado ao turismo e à ocultação da realidade e condição de vida dos filhos e filhas da classe trabalhadora.


Após a Carta denuncia emitida pelo Coletivo Negro Braima Mané, pela posição combativa assumida massivamente pelo movimento estudantil, pela manifestação de grupos de estudos e de demais entidades e organizações da Região para que fosse averiguada a situação e dadas as devidas providências ao caso de Blackface/racismo, a UFOP manifestou-se através de trâmites institucionais, em que destacamos a constituição de uma Comissão através da Portaria Prace nº 62. Desejamos que a Comissão realize um trabalho profícuo, que os fatos sejam elucidados e os responsáveis recebam tratamento condizente com o que realizaram.


Sabemos, que a força de normativas, leis e orientações gerais por si só não alteram a realidade, tanto que crimes tais como o racismo insiste em se fazer presente no cotidiano. A Universidade pública tem um papel a desempenhar, uma função social no território em que se insere. Consideramos que nos seus mais de 50 anos de existência a UFOP avançou, via grupos de estudo e pesquisa, através de ações extensionistas, através da política de cotas e de permanência estudantil, etc.

No entanto, é preciso muito mais! Para se combater práticas conservadoras e racistas enraizadas secularmente é preciso de muita força e atuação política organizativa! Nesse sentido, mais uma vez, o movimento estudantil, o pensamento crítico, a ciência socialmente referenciada e o combate ao conservadorismo apontam o caminho a ser assumido institucional e coletivamente!


A ADUFOP apoia e estará presente no ato chamado para o dia 11 de maio no Campus Morro do Cruzeiro! Convocamos as e os docentes da UFOP a demonstrarem com o movimento estudantil que é preciso outra Universidade, uma Universidade Popular Classista, que rechaça e combate veementemente o machismo e a misoginia, as opressões étnico-raciais e o racismo.


Que este chamado ao ato, que a cada dia ganha mais força, se enraíze e potencialize os debates e reflexões no âmbito do ensino, da pesquisa e da extensão. Que se torne uma engrenagem e exemplo de reflexão e de tomada de posição crítica e combativa diante de fatos, tais como: o inaceitável recebimento glamoroso à “família real” por parte do poder público municipal e da UFOP, ou o “aclamado ato de bondade de uma princesa” comemorado no dia 13 de maio, que se avizinha.

Demarcamos a importância da recém-constituída Comissão Permanente de Equidade, Diversidade e Inclusão da Escola de Minas (CPEDI). Ressaltamos a importância dos grupos de estudos, pesquisa e extensão, das disciplinas e dos projetos desenvolvidos pela comunidade Ufopiana que enfrentam teórica e politicamente o racismo.


Ressaltamos a importância de a luta sindical docente estar alinhada e se fundamentar pelos legítimos interesses da classe trabalhadora e nesse sentido, o combate às opressões e ao racismo é tarefa primeira e urgente!

A ADUFOP diz não ao Racismo!

A ADUFOP diz não ao Blackface!

Todos e Todas no ato dia 11 de maio às 11h30m em frente ao RU do campus Morro do Cruzeiro, em Ouro Preto!


Me gritaron negra!

Tenía siete años apenas, apenas siete años Qué siete años! No llegaba a cinco siquiera! De pronto unas voces en la calle Me gritaron Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! ""Soy acaso negra?""- me dije SÍ! ""Qué cosa es ser negra?"" Negra! Y yo no sabía la triste verdad que aquello escondía. Negra! Y me sentí negra, Negra! Como ellos decían Negra! Y retrocedí Negra! Como ellos querían Negra! Y odie mis cabellos y mis labios gruesos Y mire apenada mi carne tostada Y retrocedí Negra! Y retrocedí . . . Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra!

Y pasaba el tiempo, Y siempre amargada Seguía llevando a mi espalda Mi pesada carga Y cómo pesaba!...

Me alacié el cabello, Me polvee la cara Y entre mis entrañas siempre resonaba la misma palabra Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Neeegra! Hasta que un día que retrocedía, retrocedía y qué iba a caer Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Y qué? Y qué? Negra! Si Negra! Soy Negra! Negra Negra! Negra soy Negra! Si Negra! Soy Negra! Negra Negra! Negra soy De hoy en adelante no quiero Laciar mi cabello No quiero Y voy a reírme de aquellos, Que por evitar -según ellos- Que por evitarnos algún sinsabor Llaman a los negros gente de color Y de qué color! Negro Y qué lindo suena! Negro Y qué ritmo tiene! Negro Negro Negro Negro Negro Negro Negro Negro Negro Negro Negro Negro Negro Negro Al fin Al fin comprendí Al fin Ya no retrocedo Al fin Y avanzo segura Al fin Avanzo y espero Al fin Y bendigo al cielo porque quiso Dios Que negro azabache fuese mi color Y ya comprendí Al fin Ya tengo la llave! Al fin Negro Negro Negro Negro Negro Negro Negro Negro Negro Negro Negro Negro Negro Negro Negra soy.

(Victoria Santa Cruz)

10 de maio de 2022, Diretoria 2021-2023.