Nota de alerta da FLAMa-MG

VALE e PREFEITURA DE OURO PRETO PRETENDEM PRATICAR TERRORISMO DE BARRAGENS COM CRIANÇAS E ADOLESCENTES DE ANTÔNIO PEREIRA


Circulou, no último dia 04 de maio, um banner eletrônico em que Vale, a Defesa Civil de Ouro Preto e a Defesa Civil Estadual convidam a população do distrito de Antônio Pereira para apresentação teatral voltada para o público infantil com o objetivo de “apresentar questões sobre a prevenção de

riscos relacionados às barragens de mineração, como a importância do simulados e dos testes de sirenes que estão sendo realizados nas comunidades”.


Não bastassem as absurdas violações de direitos que a Vale vem promovendo em diversos territórios em Minas Gerais, especialmente após os rompimentos das barragens de Mariana e Brumadinho que causaram a morte por soterramento de mais de trezentas pessoas, que perpetuam traumas irreparáveis nas mentes e corações de milhares de famílias, essa empresa agora tem a intenção de apresentar o terror do auto salvamento – a situação em que a pessoa tem que se virar para salvar sua própria vida da lama assassina – por meio de um teatro público para as crianças, já tão impactadas não somente pelos conflitos causados pelo risco do rompimento da Barragem de Doutor, mas pela pobreza que assola o distrito historicamente explorado pela mineração.


Será que essas pessoas que comandam esse tipo de ação – os já conhecidos responsáveis pelo “relacionamento com a comunidade” – estão preparadas para lidar com esse tipo de situação por meio de um teatro? Será que os atores convidados foram preparados para atuar frente a frente com crianças e jovens que vivem em permanente estado de stress pós-traumático, mesmo sem o evento do rompimento, como já apontado fartamente na literatura científica?


Que as empresas agem sempre sob a ótica do lucro máximo não é nenhuma novidade, especialmente quando se fala da exploração predatória que corporações como Vale, Samarco (Vale/BHP), Gerdau, CSN e outras impõem ao nosso território. Mas será que as pessoas, não as jurídicas, mas as pessoas físicas, os gerentes, engenheiros, relações públicas, assistentes sociais que trabalham nessas empresas perderam também toda a sua humanidade? Será que essas pessoas não têm mais um mínimo de decência? Como podem expor centenas de crianças e jovens a um teatro mórbido, uma encenação da desgraça, que já atormenta diuturnamente a existência dessas pessoas sem qualquer preparo, sem consulta à comunidade? Não bastasse a própria surrealidade que a existência da ZAZ (zona de auto salvamento = zona de alto risco de morte = zona onde a empresa construiu a barragem, mas as pessoas que se virem para se safar), ainda querem romantizar a tragédia iminente com um teatro a céu aberto para crianças e jovens de 3 a 16 anos?


Ante todos os absurdos que tem se observado nos territórios onde a mineração atua, esse ultrapassa os já estraçalhados limites da ética, da moral, do bom senso, da humanidade. Essa situação absurda precisa parar.