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ANDES-SN 45 anos: A reorganização do Setor das Iees, Imes e Ides e o legado da greve de 2015 na Bahia

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Em 2026, o ANDES-SN celebra 45 anos de luta. Esta matéria integra um projeto especial de reportagens que resgatam a trajetória do sindicato e sua resistência ininterrupta em defesa da educação pública e da categoria, por meio de eventos que marcaram a história do Sindicato Nacional e depoimentos de quem os presenciou. Fundada em 19 de fevereiro de 1981, a entidade consolidou-se como um instrumento de luta que unifica gerações de docentes em todo o país.



O movimento docente nas Instituições Estaduais, Municipais e Distritais de Ensino Superior (Iees/Imes/Ides) é marcado pela defesa intransigente da universidade pública, gratuita e socialmente referenciada. O Setor das Iees, Imes e Ides vem consolidando-se como um espaço fundamental para unificar as lutas da categoria, que enfrenta processos de precarização semelhantes em todo o país.


Até 2023, o Setor era composto apenas por representantes de universidades estaduais e municipais. Com a criação da Seção Sindical de Docentes da Universidade do Distrito Federal (Sindundf SSind.), em 2024, o 42º Congresso aprovou a mudança do nome do setor das Iees/Imes para Setor das Iees/Imes/Ides — Instituições Estaduais, Municipais e Distrital de Ensino Superior.


Nacionalizar para fortalecer

Personagem dessa trajetória, a professora Zózina Maria Rocha de Almeida, da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), recorda que a organização atual do Setor das Iees, Imes e Ides é fruto de uma transição política iniciada nos anos 2000, quando o movimento deixou de ser apenas um espaço de reuniões para se tornar um instrumento de planejamento estratégico. Segundo a docente, sob a influência inicial do professor Antônio Bosi, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), que na época era diretor do ANDES-SN, o Setor passou a focar em pautas nacionais e estudos sobre financiamento.


Zózina participou, pela primeira vez, de uma direção do Sindicato Nacional em 2004 e assumiu a coordenação do Setor das Iees e Imes. Uma das ações desenvolvidas à época foi promover encontros nacionais para que as professoras e os professores pudessem levar suas experiências, identificar pautas comuns e nacionalizar os enfrentamentos para fortalecer a luta da categoria.


A trajetória da professora na Uneb começou em 1999, vinda de uma longa militância no ensino médio. Já no início dos anos 2000, Zózina participou da greve pelo Estatuto do Magistério, mesmo estando em estágio probatório, o que era motivo de medo para muitas pessoas. Ela relata que, naquele período, a Seção Sindical do ANDES-SN na Uneb (Aduneb SSind.) vinha de dez anos sem atuação expressiva e que a mobilização unificada dos e das docentes foi fundamental para conquistar um estatuto que refletia os princípios do ANDES-SN.


Esse fortalecimento local foi o embrião para a reorganização do Fórum das Associações Docentes (ADs) na Bahia, que passou a unificar pautas das quatro universidades estaduais da Bahia (Uneb, Uesc, Uefs e Uesb), antes fragmentadas. A unidade na luta docente expressa pelo Fórum das ADs passou a dificultar que os governos baianos negociassem apenas internamente com cada instituição, dando uma conotação de força coletiva ao movimento.


A greve de 2015 na Bahia surge como o grande divisor de águas dessa organização, totalizando 86 dias de resistência de professores e professoras das quatro universidades estaduais baianas contra a intransigência do então governador, Rui Costa (PT). “Essa foi uma greve que teve uma pauta extensa, que envolvia desde orçamento, salários, a questão das promoções e progressões, várias coisas, a revogação da 7.176/97, que foi uma lei retrógrada que retirava a autonomia das universidades”, conta.


Zózina relembra com indignação que, além do corte de salários e do acampamento na Secretaria de Educação, o ex-governador enviou o coronel Humberto Sturaro Filho para negociar com a categoria, alguém que ela descreve como um repressor que tentou intimidar as professoras e os professores. Segundo a docente, o negociador chegou a apontar o dedo para a categoria e ameaçou usar a força contra as e os grevistas que estavam na secretaria, mas o resultado foi a politização de uma categoria que ficou ainda mais indignada.


“Rui Costa, que não gosta dos funcionários públicos, botou para negociar o coronel Sturaro, que foi fazer medo, encarar os professores para saírem da secretaria, pois, se não, ia mandar um caminhão para nos tirar. Hoje, por incrível que pareça, não podia se esperar outra coisa, ele é um bolsonarista”, recorda. “Mas foi uma greve importante, que fez com que, além de todas as questões do movimento, conseguíssemos a politização da categoria. A categoria ficou ainda mais indignada com as atitudes do governo, e esse movimento foi muito importante para a gente”, acrescenta.


A paralisação teve início em 13 de maio e foi suspensa com a assinatura de um acordo, em 06 de agosto daquele ano. A mobilização docente garantiu conquistas, como o destravamento de cerca de 900 promoções e progressões, que estavam represadas havia anos, além da histórica revogação da Lei 7.176/97, um entulho autoritário.


A professora da Uneb destaca que essa experiência de unidade na Bahia serviu de modelo para outros estados. Além do Fórum das ADs, existem instrumentos semelhantes que fortalecem as lutas em outros estados, como o Fórum das Seis em São Paulo, o Comando Sindical Docente no Paraná e o Fórum das Três no Ceará.


“Diante de estarmos no mesmo estado e a educação superior estadual ser fragmentada em várias instituições, não tem outro caminho a não ser a unificação. Essa possibilidade é o caminho correto de fortalecimento, não tem outra via. Diante das diversidades que temos no país, os fóruns constituem essa possibilidade de luta unificada e fortalecida, já que é muito difícil fazer uma luta única das estaduais no Brasil todo”, avalia.


Fonte: ANDES-SN

 
 
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