Comunidade debate o futuro do Bacharelado em Cinema e Audiovisual da UFOP durante a Mostra de Cinema entre Fronteiras
Na última sexta-feira (25), o Anexo do Museu da Inconfidência sediou a roda de conversa "O Futuro Bacharelado em Cinema e Audiovisual da UFOP". A atividade reuniu a comunidade acadêmica, moradores locais, entidades sindicais e o movimento audiovisual para dialogar sobre os rumos e desafios para a implementação do aguardado curso na universidade.

O debate integrou a Mostra de Cinema entre Fronteiras, promovida pela ADUFOP em uma parceria com o Observatório Latino-Americano de Cine entre Fronteiras da UNILA e o Coletivo Audiovisual da UFOP. Realizada entre os dias 21 e 26 de setembro, a Mostra promoveu a integração cultural, lançamentos de filmes e formação político-sindical em Ouro Preto, Mariana e João Monlevade, articulando o papel transformador da arte e do audiovisual com a luta sindical de toda a classe trabalhadora.
Pela ADUFOP, a ação integrou o trabalho conjunto de quatro Grupos de Trabalho (GTs): Comunicação e Arte; Política de Formação Sindical; Multicampia e Fronteira; e Política Agrária, Urbana e Ambiental.
O encontro teve início com a exibição de vídeo institucional, produzido pela TV UFOP e pelo projeto WebTV UFOP, mostrando o potencial de Ouro Preto para se consolidar como um polo de produção audiovisual.
A mesa de debates reuniu o Reitor da UFOP, Prof. Luciano Campos; a Pró-reitora de Graduação, Profa. Marlice de Oliveira Nogueira; a Presidenta da ADUFOP, Profa. Kathiuça Bertollo; o Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos da UFOP (ASSUFOP), Gabriel de Lima Souza; e o Prof. Adriano Medeiros da Rocha (DEJOR), um dos principais articuladores da proposta.

O desejo de criar o curso não é recente. Segundo o professor Adriano Medeiros, um esboço embrionário já circulava em 2009, logo após a criação do curso de Jornalismo, em 2008. No entanto, foi a atual comissão, de caráter interdisciplinar, composta por docentes e Técnicos-Administrativos em Educação (TAEs), que conseguiu institucionalizar e solidificar o projeto.
A Pró-reitora de Graduação, Marlice de Oliveira Nogueira, informou que a comissão já recebeu o parecer técnico para adequar algumas questões curriculares, destacando que a proposta tem um enorme potencial de aprovação. Após os ajustes e retorno para a PROGRAD, o projeto seguirá para a PROEX, será votado no Conselho de Graduação (Congrad) e, por fim, no Conselho Universitário (CUNI).
Apesar da sinalização positiva do Ministério da Educação (MEC) para a criação de novos cursos em universidades com infraestrutura, a aprovação do projeto pedagógico não garante a abertura imediata das turmas.
O Reitor Luciano Campos enfatizou que o curso será sediado no Instituto de Filosofia, Arte e Cultura (IFAC), mas ressaltou que a UFOP não abrirá as portas para a graduação sem garantias de investimento. Embora as vagas para docentes estejam asseguradas, o reitor destacou a necessidade de mobilização para garantir recursos e a liberação de portarias para concursos de TAEs, profissionais indispensáveis para o funcionamento de estúdios e laboratórios.
Essa urgência também esteve presente em outras falas.. Gabriel de Lima Souza, presidente do ASSUFOP, reiterou a urgência das contratações técnicas. A professora Kathiuça Bertollo, presidenta da ADUFOP, pontuou que a posição da seção sindical docente é uma construção dialógica, reivindicando condições estruturais adequadas para que o curso já nasça forte e sem precarização do trabalho.
Kathiuça Bertollo fez uma fala sobre o papel social da iniciativa, conectando o projeto à democratização do ensino e reforçando a importância do tripé da universidade: pesquisa, ensino e extensão. A presidenta da ADUFOP ressaltou que a luta pelo curso é, sobretudo, a luta para garantir que filhas e filhos da classe trabalhadora possam acessar, permanecer e se formar com excelência na universidade pública. Em sua fala, ela também destacou os projetos bem produzidos pelo curso de Jornalismo da instituição, o que dá um lastro para a demanda de implantação do curso de Cinema da UFOP.
O futuro do Cine Vila Rica, fechado há cerca de 15 anos e considerado como o futuro "laboratório" do curso, também foi elemento da fala da presidenta da ADUFOP, e que foi incorporado pelos demais debatedores e pelo público presente. Após indagações do público e da mesa, o Reitor informou que o Governo do Estado de Minas Gerais liberou recursos destinados à reforma do cinema, além de verbas para o telhado da Escola de Minas e uma estação de tratamento de esgoto na UFOP.
A revitalização do Cine Vila Rica, no entanto, é de alta complexidade. Exige aprovações de órgãos como o IPHAN, IPHAN-BH e a Prefeitura de Ouro Preto, entre outros. A previsão é que a verba chegue à UFOP a partir de novembro, com obras estimadas em, no mínimo, três anos.
A roda de conversa contou com contribuições externas, como a da professora Fran Rebelatto, que compartilhou as vivências e desafios do curso de cinema da UNILA (Universidade Federal da Integração Latino-Americana). Um professor da UEMG (Universidade Estadual de Minas Gerais) também relatou a experiência do curso de Tecnologia em Cinema e Animação no polo audiovisual de Cataguases, enquanto Gracy Laport e Raquel Salazar, membras da CINEOPA (Associação de Cinema e Audiovisual de Ouro Preto e Mariana), reforçaram o impacto do audiovisual para o desenvolvimento da região.
O Prof. Adriano Medeiros, a equipe da Audiovisual UFOP, a WebCINE TV UFOP, docentes, técnicos, a CINEOPA e a sociedade civil seguem em campanha pelo curso e pela revitalização do Cine Vila Rica.
A comunidade pode apoiar o movimento assinando as petições abertas:



