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Mostra Cinemas entre Fronteiras e Mostra Mineração na América Latina debatem impactos da mineração nos territórios e reafirmam a luta sindical docente articulada com as lutas sociais na região

há 11 minutos
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Integrando a programação da Mostra de Cinema entre Fronteiras, o lançamento da Mostra Mineração na América Latina promoveu um amplo espaço de debate sobre os impactos socioambientais da atividade minerária na região, com foco nas vivências das comunidades atingidas em Minas Gerais, especialmente nos distritos de Mariana e Ouro Preto. Conduzida pelo professor Marlon Garcia da Silva, membro do Conselho de Representantes da ADUFOP, a atividade reuniu movimentos sociais, entidades sindicais, assessorias técnicas independentes (ATIs), pesquisadores, estudantes, docentes e moradores/as de territórios afetados.



Entre as organizações participantes estiveram o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), a FLAMa-MG (Frente Mineira de Luta das Atingidas e dos Atingidos pela Mineração) a Cáritas-MG e o Instituto Guaicuy. A mesa também contou com a presença de pessoas atingidas e que se colocam nas trincheiras das lutas por reparação: Mirella Regina de Sant'Ana, moradora de Ponte do Gama (subdistrito de Mariana) e representante das comunidades rurais na Comissão de Atingidos pela Barragem de Fundão (CABF) e Aliliane Verissimo, moradora de Antônio Pereira e membra da Comissão de Pessoas Atingidas de Antônio Pereira. Também participaram estudantes dos cursos de Serviço Social e Jornalismo da UFOP, o que consolidou o momento como um espaço de escuta ativa das populações que vivenciam a violenta realidade da mineração, e de potencialização das lutas cotidianas por um novo modelo de mineração.


Vozes dos territórios

Moradoras de distritos atingidos, como Antônio Pereira (Ouro Preto) e Ponte do Gama (Mariana), deram depoimentos marcantes sobre violações que extrapolam os danos visíveis e que ao longo de mais de 10 anos vem afetando a rotina e a saúde mental das famílias.


Dentre as falas ecoa, especialmente sobre a comunidade de Antônio Pereira, o “medo invisível” contínuo sob o qual vive a população. Mesmo sem o rompimento da estrutura, como aconteceu com a Barragem de Fundão há quase 11 anos, a ameaça constante da atividade minerária predatória e a poluição diária geram traumas permanentes e degradação da qualidade de vida.


Em relação aos territórios de Mariana, foram feitas críticas aos processos de reparação conduzidos sem maior participação das pessoas atingidas. Segundo elas, muitas das obras e ações promovidas ignoram as reais demandas e dinâmicas das comunidades afetadas. Também foi denunciada a situação de famílias relocadas para novas moradias que, na mesma semana da entrega das chaves, precisaram desocupar os imóveis devido a falhas estruturais e deslocamentos no piso. O caso evidencia a ineficácia das medidas institucionais de reparação conduzidas pelas pela Fundação Renova.


Ao centralizar essas denúncias, o encontro reafirmou que a reflexão sobre a mineração envolve dimensões fundamentais de direito ao território, moradia digna, saúde e justiça socioambiental.


Cinema como espaço de encontro e reflexão

A articulação entre a linguagem audiovisual e o protagonismo comunitário fez da atividade um ponto alto da atividade, conectando o cinema às lutas sociais e sindicais da região. A pluralidade de atores em cena fortaleceu o debate crítico sobre a exploração predatória dos territórios e reforçou o cinema como ferramenta de formação, denúncia e transformação social.



Ao garantir espaço para que os próprios atingidos verbalizassem suas demandas, o evento reafirmou a importância de construir pontes entre a academia, a produção cultural e os movimentos de base político-social e sindical.


Durante a atividade, foi exibido trecho de documentário produzido pela Cáritas com relatos das pessoas atingidas. Na ocasião ainda, estudantes do curso de Serviço Social declamaram trechos do livro 'Poema Mineral', uma antologia poética organizada pelo Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), que reúne versos de autores sobre a natureza, a terra e os impactos do extrativismo. O momento foi encerrado com um convite especial para a leitura coletiva do poema de Carlos Drummond de Andrade “Lira Itabirana”.


Pela ADUFOP, a ação integra o trabalho conjunto dos Grupos de Trabalho de Comunicação e Artes; Política de Formação Sindical; Multicampia e Fronteira; e Política Agrária, Urbana e Ambiental. A iniciativa reitera o compromisso do sindicato com a formação política, o apoio às lutas populares e a defesa incondicional dos territórios atingidos.


 
 
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